LINHA DO TEMPO
Nasce no dia 22 de julho, em Salvador.
Inicia colaboração com o jornal O Imparcial,
escrevendo notas e comentários sem assinatura sobre
filmes em cartaz, nas colunas Teatros & Cinemas e
Panorama. Participa do movimento literário Academia
dos Rebeldes, que defende “uma arte moderna, sem
ser modernista”, ao lado, entre outros, de Jorge Amado
e Edison Carneiro.
Ingressa na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Entra para a Juventude Comunista.
Forma-se em Direito. Adere à Aliança Nacional Libertadora e cria a Frente Única Juvenil contra o Fascismo.
Publica o artigo “O novo sentido da arte de Chaplin, a propósito de ”Tempos modernos”, no jornal da Associação Universitária da Bahia.
Passa a atuar como juiz no interior da Bahia. Publica o livro de poemas Amargura. Colabora com as revistas Seiva e Flama, entre outras.
Publica os artigos “Esta é a hora do cinema nacional” e “Valor do cinema como arte”, no jornal O Imparcial. Inicia duradoura colaboração com o jornal Diário de Notícias, para onde transfere a coluna Panorama. Realiza sua primeira conferência sobre cinema, a convite da União dos Estudantes da Bahia, com o título “Cinema: arte contemporânea”. É um dos fundadores da Associação Brasileira de Escritores – Seção Bahia.
Realiza a palestra inaugural da primeira Exposição de Arte Moderna em Salvador. Organizada pelo escritor Jorge Amado, pelo gravador e pintor paulista Manoel Martins e pelo jornalista e colecionador pernambucano Odorico Tavares, diretor dos Diários Associados na Bahia desde 1942, a mostra enfrenta forte resistência do público e da crítica.
Entra no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Escreve a seção de cinema para o jornal comunista O Momento. Abandona a carreira de juiz. Advoga na Justiça do Trabalho.
Inicia colaboração com a revista modernista Caderno da Bahia [1949-1951], escrevendo a seção de cinema.

Funda, com Carlos Coqueijo da Costa, o Clube de Cinema da Bahia, que tem sessão inaugural no dia 27 de junho, no Auditório da Secretaria de Educação e Saúde da Bahia, atual Museu de Arte da Bahia (MAB), na Vitória. A exibição conta com o apoio do cineasta Alexandre Robatto, que faz a coordenação técnica da projeção em 35 mm. Na semana seguinte, o Clube passa a funcionar no cinema Glória e, depois, no Liceu, nas manhãs de domingo.
Organiza o I Festival de Cinema da Bahia, de 28 de abril a 6 de maio, no cinema Liceu e no Cine-Teatro Guarani, com conferências dos críticos Vinicius de Moraes, Alex Viany, Alípio de Barros, Salvyano Cavalcanti de Paiva e do cineasta Alberto Cavalcanti. Participa, com Alex Viany, do IV Congresso Brasileiro de Escritores, de 25 a 30 de setembro, em Porto Alegre, onde aprovam moção de apoio à realização do I Congresso Nacional do Cinema Brasileiro. Inicia colaboração com o jornal A Tarde.
Participa do I Congresso Nacional do Cinema Brasileiro, de 22 a 28 de setembro, no Rio de Janeiro, onde apresenta a tese “A crítica como fator de desenvolvimento do cinema brasileiro”, destacando-se como relator-geral do evento. Elabora, com o cineasta Alexandre Robatto, entre outros integrantes da Comissão de Cinema Educativo, o Plano de Cinema Educativo para a Prefeitura de Salvador.
Participa do II Congresso Nacional do Cinema Brasileiro, de 12 a 20 de dezembro, em São Paulo, como um dos vice-presidentes. O estudante e cineclubista Guido Araújo muda-se para o Rio de Janeiro e atua como continuísta de Rio, 40 Graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos, que é censurado.

São realizadas no início do ano as filmagens do curta-metragem Ana, com direção de Alex Viany, argumento de Jorge Amado, roteiro de Trigueirinho Neto e Alberto Cavalcanti, nos municípios de Feira de Santana, Monte Santo, Cocorobó e Canudos. É um dos cinco episódios do filme A rosa dos ventos (1957), rodado em cinco países, com codireção de Cavalcanti e produção da Alemanha Oriental, para o Congresso da Federação Internacional das Mulheres Democráticas. O Cine-Teatro Guarani é reinaugurado, com tela cinemascope e murais de Carybé. Walter da Silveira publica o artigo “Cine-Teatro Guarani: sua origem, evolução e atualidade, 1919-1955” e organiza exibição histórica de Rio, 40 graus (1955).
Inicia o processo de ruptura com o PCB, após a
divulgação do Relatório Kruschev, sobre os crimes de
Stálin.
Integra a delegação brasileira do Festival Mundial da
Juventude, em Moscou, na União Soviética. Rompe
definitivamente com o PCB.
Participa, com os críticos cineclubistas Hamilton Correia
e Glauber Rocha, da I Jornada dos Cineclubes
Brasileiros, organizada pela Cinemateca Brasileira, de
24 a 26 de janeiro, em São Paulo, onde conhece
pessoalmente Paulo Emílio Sales Gomes. Em 8 de
março, organiza o lançamento dos curtas-metragens
Pátio, de Glauber Rocha, e Um dia na rampa, de Luiz
Paulino dos Santos. No mesmo ano, Trigueirinho Neto
realiza, em Salvador e Cachoeira, o longa-metragem
Bahia de Todos os Santos (1960), com apoio do grupo
ligado ao Clube de Cinema. Assume, como suplente, o
mandato de deputado estadual pelo Partido
Trabalhista Brasileiro (PTB). É autor do projeto de lei que
cria o Museu de Arte Moderna da Bahia, redigindo seu
estatuto e regimento interno.
Publica o artigo “Os primeiros 25 anos do cinema na
Bahia”, em 6 de março, no jornal Diário de Notícias.
Participa, com Hamilton Correia e Orlando Senna, da I
Convenção Nacional da Crítica Cinematográfica,
organizada pela Cinemateca Brasileira, de 12 a 15 de
novembro, em São Paulo, como vice-presidente.
Apresenta as teses “O papel vanguardista da crítica
cinematográfica no Brasil” e “Da necessidade de uma
revista nacional de crítica cinematográfica”. Lança o
livro A importância de ser juiz e atua como advogado
trabalhista de diversos sindicatos, incluindo o dos
exibidores cinematográficos.

Participa, como figurante, do filme A grande feira (1961), de Roberto Pires, e, no papel do bispo, de O pagador de promessas (1962), de Anselmo Duarte. Organiza, em parceria com Lina Bo Bardi, sessões do Clube de Cinema no Auditório do Museu de Arte Moderna da Bahia, instalado provisoriamente no foyer do Teatro Castro Alves, após o incêndio. É mediador do célebre debate da mostra Homenagem ao Documentário Brasileiro, com curadoria de Jean-Claude Bernardet e participação de Glauber Rocha, durante a VI Bienal de São Paulo. Passa a integrar o Conselho da Cinemateca Brasileira. Inicia colaboração com as revistas Anhembi, de São Paulo, Temário, do Rio de Janeiro, Revista de Cultura Cinematográfica, de Minas Gerais, e Celuloide, de Portugal.

Realiza, de 10 a 14 de fevereiro, em Salvador, o Estágio Nacional de Dirigentes de Cineclubes, com a participação de Alex Viany, Paulo Emílio Sales Gomes, Jean-Claude Bernardet, com o objetivo de discutir a obra de Humberto Mauro, exibida em Salvador pela primeira vez. Participa, como convidado oficial, dos festivais de Cannes (França), Sestri Levante (Itália) e Karlovy Vary (Tchecoslováquia), testemunhando a consagração internacional de O pagador de promessas, de Anselmo Duarte, que recebe a Palma de Ouro em Cannes, e de Barravento (1962), de Glauber Rocha, premiado em Karlovy Vary, mesmo festival que conferiu a Rio, 40 graus (1955), em 1956, o Prêmio Jovem Talento. Em Sestri Levante, representa a Cinemateca Brasileira na III Resenha do Cinema Latino-Americano, que premia o curta-metragem Couro de gato (1962), de Joaquim Pedro de Andrade.
Realiza a conferência “Cinema no Brasil e na Bahia”,
durante a Semana Cinema e Desenvolvimento,
realizada em Salvador, de 5 a 10 de agosto, no
Auditório da Escola de Teatro e no salão nobre da
Reitoria da Universidade Federal da Bahia. Participam
do evento também os conferencistas Guido Logger,
Flores Ammannati, Paulo Emílio Sales Gomes, Humberto
Didonet e A. Fávaro.
Organiza, em Salvador, de 6 a 13 de fevereiro, a V
Jornada Nacional de Cineclubes e o I Festival Brasileiro
de Filme de Curta-Metragem. O Clube de Cinema
abandona o sistema de sócios e passa a programar a
sessão Cinema de Arte da Bahia, aos sábados pela
manhã, inicialmente no Liceu e, depois, no Guarani.
Entra para a Academia de Letras da Bahia. Publica o
livro Fronteiras do cinema.

Participa, como convidado oficial, do Festival de
Berlim. Integra o júri do III Festival de Brasília do
Cinema Brasileiro. O Clube de Cinema da Bahia
passa a programar o Cinema de Arte da Bahia em
sessões diárias e regulares no cinema Popular,
reinaugurado com a exibição de Terra em transe
(1967), de Glauber Rocha.
Ministra aulas de história e estética no curso livre de
cinema, com duração de um ano, oferecido pelo
Grupo Experimental de Cinema (GEC), projeto de
extensão da Universidade Federal da Bahia. Divide as
aulas com Guido Araújo, que, tendo retornado a
Salvador no final de 1967, assume a disciplina de teoria
e prática. Participam do curso, entre outros, José
Umberto Dias, André Luiz Oliveira, Walter Lima, José
Frazão, André Setaro, Geraldo Machado e Jairo Farias
Góes. Programa as sessões do Cinema Universitário,
realizadas aos sábados à noite, no salão nobre da
Reitoria da UFBA.
Cria a editoria de crítica de cinema do jornal Tribuna da
Bahia, formada também por Hamilton Correia, Guido
Araújo, Jairo Farias Góes, Geraldo Machado e José
Umberto Dias. Participa do Júri do V Festival de Brasília
do Cinema Brasileiro.
Lança o livro Imagem e roteiro de Charles Chaplin.
Morre em 5 de novembro, de câncer renal, deixando
inacabado o livro A história do cinema vista da
província, publicado postumamente [em 1978], com
organização de José Umberto Dias.